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O dono dos sábados e domingos

Ele sonhava em ser palhaço, mas os caminhos da vida o levaram para outros rumos.
Para nossa sorte, há mais de 40 anos ele encanta milhares de brasileiros.




A paixão pelo meio artístico é antiga, começou quando ele tinha apenas seis anos de idade. Naquela época, Raul Gil adorava ir ao circo Irmãos Savala que era montado no Parque Sevilha, localizado na Vila Prudente – bairro próximo da casa onde ele morava com a família, no Ipiranga, em São Paulo. A parte do show que ele mais gostava era quando o palhaço Parafuso, personagem criado por Roberto Savala, entrava em cena. “Ele era meu ídolo”, admite. “Palhaço significa alegria, felicidade, paz. Por isso, sempre sonhei em ser palhaço, para transmitir coisas boas para o povo”.

Anos mais tarde, quando Raul Gil já trabalhava no meio artístico, na rádio América, deu uma entrevista em um programa de tevê e contou essa história. Na semana seguinte apareceu um homem no estúdio à sua procura. Raul Gil o recebeu e perguntou: “quem é você?” O homem simplesmente respondeu: “o palhaço Parafuso”. “Você disse que gostaria de me ver e eu estou aqui”. Raul Gil lembra com emoção dessa história e a conta com a voz embargada.

A paixão pela estrada, caminhões e carros também é antiga. Com certeza surgiu ainda na infância e na adolescência quando trabalhava como feirante, vendendo pastéis, frutas e azeitonas. Naquela época ele também ajudava o caminhoneiro Henrique a carregar seu caminhão com tijolos. Depois, Raul Gil foi trabalhar como metalúrgico, na empresa de transporte do seu irmão, José Gil, e na rodoviária Santa Fé, uma das que ajudaram na construção de Brasília.

Foi nessa empresa que Raul Gil teve o contato direto com o universo dos caminhoneiros. Ele era o responsável pela confecção do “manifesto”, ou seja, era ele quem preenchia as notas fiscais para os caminhões serem liberados para a viagem. “Eu batia uma série de manifestos por dia e também fazia algumas cobranças de frete. Tudo em três vias”, ressalta.

Finalmente, o outro irmão, Paulo Gil, foi caminhoneiro da Cometa e do Expresso Brasileiro. “Certa ocasião, o Paulo quase morreu, pois o freio do seu caminhão quebrou e ele entrou atrás de uma carreta. Mas ele teve histórias engraçadas também. Outra vez, uma vaca pastava em um barranco próximo à rodovia, perdeu o equilíbrio e quase caiu em cima do caminhão do Paulo”, lembra.

O próprio Raul Gil nunca dirigiu caminhão, mas o amor pela estrada o levou a fazer uma viagem simplesmente incrível. “Há uns 30 anos eu e minha família fomos para São Luiz, no Maranhão, com o meu Volkswagen TL, zero quilômetro. Rodei cerca de 9.500 quilômetros e conhecemos todo o litoral”, lembra. Até hoje ele ainda gosta de pegar uma estrada.

De calouro a apresentador

A vida artística começou cedo, aos oito anos de idade, logo depois que os irmãos o levaram para assistir ao programa Clube do Papai Noel, na Rádio Tupi. Alguns anos depois, Raul Gil iniciou a carreira como calouro em programas de rádio. A primeira apresentação foi na Rádio América, no “Salomão Faz Justiça”, em 1954. Foi “gongado” mais de 15 vezes, mas não desistiu. Três anos depois foi convidado para participar do programa da Hebe Camargo, no concurso Calouros Toddy. Começava seu reinado na televisão e hoje, mais de 40 anos depois, ele continua encantando os brasileiros todos os sábados e, a partir desse ano, todos os domingos também.

É bom ressaltar que além de cantar (ele gravou oito discos de 78 rotações, três LPs e dois CDs), o apresentador Raul Gil também se destaca pelo bom humor e por conta dessa veia artística, gravou algumas músicas engraçadas, como “Pára Pedro” e “Maria Bonita”. Fez participações em quadros e shows humorísticos, como o “Show Riso” e o “My Fair Show”, ambos da extinta tevê Excelsior. Passou também pela Tupi, Record, SBT, Manchete e atualmente apresenta os programas Raul Gil e Homenagem ao Artista, na Bandeirantes. Outro dom do Raul é a facilidade com que imita cantores como Vicente Celestino e Cauby Peixoto, além de Mazzaropi e o eterno Velho Guerreiro, o Chacrinha.

Nesses anos todos dedicados ao meio artístico, Raul Gil revelou muitos talentos da música nacional, como Sidney Magal, Gretchen, Cristian e Ralf, Só Pra Contrariar, Mara Maravilha, Ultraje a Rigor e Titãs. Atualmente, além de se dedicar aos dois programas semanais, Raul Gil divide seu tempo entre a sua empresa Luar Company, onde funciona a produção do seu programa, um estúdio de som para gravações de CDs, jingles e trilhas sonoras, uma produtora de vídeo e a gravadora Luar Music, além da família, é claro! É casado com a escritora Carmem Sanchez, com quem tem dois filhos: Nanci, jornalista, e Raul Gil Júnior, diretor de seus programas. A caçula da família Gil chama-se Raquel, filha de Nanci e xodó do avô Raul.
agosto/setembro 2007
 

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