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Aposentadoria agitada
por Magda Mattos

Depois do susto, o sonho realizado

Passar horas na estrada. Estar um dia em cada lugar e conhecer pessoas diferentes. Esse era o sonho de Adilson Honório da Silva quando adolescente. Mas o destino o levou a outra estrada e por 27 anos trabalhou internamente em uma montadora.

Em 2000 Adilson se aposentou, na época com 45 anos, e com a indenização de 30 mil reais resolveu logo fazer alguma atividade para manter o padrão de vida. Foi quando um parente, na brincadeira, ofereceu-lhe um caminhão basculante Mercedes Benz 1113, ano 82.

Apesar de não ter nenhum conhecimento da vida de caminhoneiro, resolveu, em uma semana, aceitar o desafio. Comprou o possante e logo no dia seguinte, com algumas dicas do parente que lhe vendeu o caminhão, começou a puxar areia, do porto de Jacareí para Guarulhos.

Após um ano puxando areia Adilson foi surpreendido, em Cumbica, por dois caronas indesejáveis que roubaram o caminhão e o mantiveram em cativeiro por oito horas. Mas, mesmo com medo e muita dor de barriga (conta Adilson rindo), tentou manter a calma de todos, inclusive dos seqüestradores, que com o tempo foram tratando-o como “amigos de infância” e até cerveja lhe deram.

– Safados filhos da....! Pensou Adilson que sabia que eles estavam usando seus cartões de crédito. Mas tinha que manter o equilíbrio para sair vivo daquela situação. Por isso, também tratou de manter a cabeça baixa, não olhar o rosto de ninguém, rezar e agüentar a dor de barriga até ser libertado.

O fato lhe rendeu experiência, mas não lhe tirou a vontade de voltar para a estrada. Com o valor que o seguro lhe pagou pelo caminhão roubado, a venda de um imóvel na praia e a compreensão e ajuda da esposa Roseli, Adilson comprou um possante Volkswagen 15180 zerinho e entrou num financiamento para comprar um sider.

– Agora é ralar! Pensou consigo.

Hoje, Adilson e a esposa, depois de muita batalha, quitaram não apenas o financiamento, como compraram um sítio para a família. Adilson trocou o 15180 por um Mercedes 710, tipo ¾, novinho “em folha”, justificando que o 710 dá mais lucro e menos manutenção.

E, quando tudo parecia calmo, lá vem Adilson com outra novidade. O sogro de sua filha, Altair Tilarican, também aposentado, lhe faz uma proposta.

– Quer comprar um caminhão em sociedade?

– Ora ... por que não!!! Respondeu sem pensar.

Há poucos meses “Pedro e Bino”, como foram apelidados pelos amigos de estrada, fazem transporte entre São Paulo (SP), Contagem (MG) e Curitiba (PR) com o Ford Cargo 0 km que compraram. Já o outro caminhão (710), Adilson contratou um motorista para trabalhar com ele.

– O sucesso não vem de graça, precisa-se de muito trabalho, solidariedade (que encontrou na estrada) e de uma esposa para dar força. Fala, timidamente, Adilson. O “Bino” da dupla.


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outubro/novembro 2008
 






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