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Sonho de liberdade
por Magda Mattos

"Todo caminhoneiro reclama da vida que tem, mas nenhum diz que não gosta dela"

Essa frase dita por Roberto, um dos 14 caminhoneiros que compõem a família Castro e Souza, traduz a paixão que esses homens e mulheres têm pela vida na estrada.

A história dos Castro e Souza começou com o filho mais velho, Almerindo, que resolveu deixar a casa dos pais, em 1973, no interior do Paraná para tentar a vida em São Paulo. O atrevimento deu tão certo que, depois de dois anos, toda a família, composta por mais 13 irmãos – nove homens e quatro mulheres – inclusive seus pais, também chegou à zona leste paulista carregando sonhos, além de muitas malas.

Com o passar do tempo, São Paulo foi mostrando para essa grande família todas as possibilidades de bons empregos, entre eles o de caminhoneiro. Hoje, depois de 35 anos, os irmãos Almerindo, Antonio, José e Milton ainda viajam. “Eu e meu outro irmão Dirceu achamos melhor deixar de vez as estradas”, diz Roberto. Mas mesmo quem abandonou as rodovias ainda lembra de suas carretas com emoção.

Roberto conta na ponta dos dedos quem de sua família teve, tem ou ainda terá uma história na estrada e os dez dedos da mão são poucos. Já em Arapongas, no Paraná, os tios trabalhavam com caminhões e, hoje, os sobrinhos tentam convencer os pais que essa pode ser sua história também.

Alguns dos irmãos, mesmo longe das boleias, têm uma ligação muito próxima com caminhões. Há dois meses Roberto abriu com Dirceu uma loja de autopeças para o segmento. Augustinho, o único dos irmãos que não foi caminhoneiro, agora também é sócio da loja e Antonio e José pensam em voltar a ser mecânicos. “Como eram antes de entrar na estrada”, lembra Roberto.

Apenas Almerindo continua firme em seu destino e hoje carrega a esposa com ele para as estradas. “Ela adora”, confidencia Roberto parecendo ter saudades da vida sem fronteiras. Mas se todos, lá no fundo de suas almas, gostam dessa vida sem parada, por que estão saindo dela? Aí Roberto diz com sorriso amoroso: “Todo caminhoneiro reclama da vida que leva, mas nenhum diz que não gosta dela. Apenas a deixamos para dar aos nossos filhos outros sonhos fora da estrada”. Entretanto, cada um faz sua própria história e muitos dessa nova geração já sonham com as carretas e a profissão de alma livre. Boa sorte!



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fevereiro/março 2008
 






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