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Mulher ao volante, perigo constante?
por Magda Mattos

Nada disso, hoje elas já conquistam o respeito de todos

Encontrar mulheres dirigindo ônibus e caminhões já não é tão incomum. Aos poucos, elas estão entrando para um dos raros redutos ainda masculinos, as boleias.

Maria José de Carvalho Doce é uma delas. Doce no nome e no jeito de falar, ela conta, sem muito entusiasmo, que se formou em Direito, mas nunca exerceu a profissão. “Desde os 18 anos eu sonhava em dirigir caminhão e viajar pelo país”, fala com todo o orgulho.

E foi assim que entrou para o mundo das cargas pesadas aos 26 anos. Contra a vontade do pai, o senhor José Lopes dos Santos Carvalho, falecido no ano passado, Maria José tirou a carta de motorista aos 18 anos já habilitada para dirigir caminhão. Afinal era seu sonho desde os seis anos, quando viajava com seu pai, também caminheiro, no 1113V da Mercedes. “Duro que só”, relembra ela ao comparar com os veículos atuais. E, ainda no momento de lembranças, conta que sua maior alegria era quando o pai a chamava para lavar o caminhão. “Eu adorava”, recorda.

Há cinco anos Maria José trabalha na Braspress, empresa conhecida por dar oportunidade a mulheres motoristas. Enfim, ela estava na hora e no lugar certos. Com a contratação e a felicidade estampada no rosto, informou sua decisão ao pai que acabou aceitando a opção da filha companheira de boleia.

Casada há quatro anos e com um bebê de apenas seis meses, Maria José diz que ama o que faz, dirigindo os modelos 710, 1215 e agora uma Mercedes 1938. Quanto ao marido, Luiz Carlos Doce, explica que o conheceu trabalhando. “Estava coletando material numa editora e acabei coletando-o também”, brinca. Quando pergunto qual seu sonho agora, ela responde que é a Braspress escalá-la para as estradas. “Gosto de conhecer lugares e pessoas. Isso sem falar nas situações novas com que aprendemos mais, inclusive a fazer manobras diferentes”. Mas e quanto ao seu bebê? “Fica com o marido em casa”, responde.

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abril/maio 2008
 






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