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Histórias da boleia
Neste 30 de junho, dia do caminhoneiro, os motoristas revelam
as vantagens
da profissão, mas também declaram que é difícil
viver longe da família
O dia nem amanheceu e o movimento no Rodoshopping
Fernão Dias, em São Paulo, um dos maiores
centros de distribuição de cargas do país, é intenso.
Essa é uma cena comum não só neste
local, como nos diversos terminais espalhados pelas principais
cidades do território nacional. Enquanto esperam
por um bom frete, os motoristas gastam o tempo batendo
papo com amigos (25,42%). É o que constatou uma
pesquisa realizada pela ONG (Organização
Não Governamental) “Na Mão Certa”.
Há também os que preferem dormir (23,75%),
ver televisão (15,95%) e outros ainda dedicam seu
tempo para a manutenção do possante (7,05%).
Também existem (em menor proporção)
os que gostam de descansar, ouvir música, ler, jogar,
passear, cozinhar etc.
A equipe da ChAPa aproveitou esse momento de lazer, foi
até o terminal Fernão Dias, e entrevistou
alguns motoristas para saber quais são as coisas
boas da profissão. Afinal, 30 de junho é o
dia do caminheiro, profissional responsável por
mais de 60% do transporte de carga do país.
Para o gaúcho Heberto Oscar Paso, de 22 anos, natural
de Uruguaiana, a vida de motorista não é fácil,
mas tem vários pontos favoráveis. “Na
boleia, a gente tem a oportunidade de conhecer vários
lugares interessantes no país e até fora
dele. Também posso afirmar que fiz muitos amigos
na estrada”, completa. |
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Segundo a Agência Nacional
de Transportes Terrestres-ANTT, há hoje no país
1.764.110 caminhões cadastrados, sendo que 997.330
pertencem aos motoristas autônomos. Desse total,
958.853 são caminhões simples, 301.668
são semi-reboques e 264.799, caminhões
trator. Ainda segundo a ANTT, a idade média
da frota nacional é de 21,2 anos.
Com relação ao volume de registros nacionais
de transporte rodoviário de carga, o estado
de São Paulo é o que possui o maior número,
com 462.410 possantes. Minas Gerais aparece na segunda
posição com 220.393, o Paraná,
com 198.179, o Rio Grande do Sul, com 190.101 e Santa
Catarina aparece na quinta posição, com
136.712 registros.
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Paso dirige um Scania 124 há quatro anos, mas foi criado
dentro da boleia, pois seu pai também é caminhoneiro.
Está acostumado a trabalhar na Argentina, Uruguai, Chile
e Paraguai. Na realidade, essa foi a primeira vez que enfrentou
as rodovias da região Sudeste. “As condições
das estradas por aqui não são as melhores, prefiro
as rodovias portenhas. Pelo que ouvi e vi, viajar no Brasil também é mais
perigoso.
Infelizmente esses são os pontos negativos da profissão.
Outro inconveniente é a saudade da família”,
diz Paso.
Mas ele ressalta que a independência é muito boa. “O
simples fato de não ter patrão em cima de você todos
os dias é uma tranqüilidade”, brinca. E ele
diz isso ao lado de Rogério Bortolazzo, proprietário
do caminhão, que resolveu viajar junto com Paso para conhecer
a capital paulista. Bortolazzo também reclama das estradas
e diz que “viajar no exterior é mais seguro”.
Olho vivo
A segurança também é a maior preocupação
do carioca Amauri Gonçalves Bayão, de 40 anos.
Há mais de 20 anos na estrada, Bayão diz que hoje
em dia é muito difícil viver de frete. “É raro
encontrar carga boa. E quando a gente encontra, o valor do frete
não é proporcional, mas vamos levando”, ressalta
Bayão. Em compensação, ele diz que as condições
das estradas estão excelentes. “Viajo direto pela
Dutra e sempre que precisei fui atendido pelo pessoal da concessionária
e nunca precisei pagar nada”, diz.
Bayão também destaca que o fato de não ter
patrão e de não ter que seguir horários
são as melhores coisas da profissão. Ele apenas
lamenta a saudade da esposa Leonor e das filhas Jady e Arianne.
Quando fala sobre a família, se emociona, mas confessa
que vale a pena viver na boleia para proporcionar uma
boa educação para as filhas.
O curitibano Marinaldo Portes, de 27 anos, também sente
muita falta da família. Casado há quatro anos,
ele tem um filho de um ano. “Antigamente eu ficava bastante
tempo fora de casa. Mas agora, quando passo mais de uma semana
sem ver minha esposa e meu filho, fico com o coração
apertado”, expõe Portes.
Ele diz que a melhor coisa da profissão é a oportunidade
de conhecer lugares diferentes e de trabalhar sem patrão. “Também
temos vários inconvenientes, como encarar fretes baixos
e prestações (do caminhão) altas, mas no
final, posso afirmar que é uma profissão interessante”,
conclui.
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| “Conhecemos vários lugares
e fazemos muitos amigos”. Heberto Oscar Paso |
“Jady e Arianne,
papai vive na boleia para dar alguma
coisa de melhor
para vocês”.
Amauri Gonçalves Bayão |
“Não ter patrão em
cima de você é uma tranqüilidade”.
Rogério Bortolazzo |
“Quando a saudade chega, fico com o coração
apertado”.
Marinaldo Portes |
junho/julho
2008
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