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Bate-papo com André Azevedo
por Nilton Pavin

André Azevedo começou a competir em 1976, com 17 anos, participando de campeonatos de motocross. A partir de 1983 passou a competir em enduros de regularidade e velocidade, até 1988, quando decidiu participar pela primeira vez do Rali Paris-Dakar. Foi a estréia brasileira naquele evento. Atualmente integra a equipe da Petrobras Lubrax junto com Jean Azevedo, Rodolpho Mattheus, Mira Martinec, Maykel Justo e Youssef Haddad. Mora em São em São José dos Campos com a esposa e os dois filhos e confessa que a família também tem paixão pelos esportes off road, pois até a esposa já competiu no Rali dos Sertões como piloto na categoria Caminhão (2004 e 2005).


Quando surgiu a sua paixão por ralis?
  André: Eu sempre comprei revistas sobre o Rali Dakar e um dia pensei que era isso que gostaria de fazer. Em 1988 fui atrás do meu sonho e me tornei o primeiro brasileiro a participar do maior rali do mundo, naquele ano, na categoria motocicleta. Desde então, quando o sonho virou realidade, não parei mais. Hoje minha equipe, a Petrobras Lubrax, compete nas provas off road no Brasil, além do Dakar.

Por que você trocou a moto por caminhões?
  A Equipe Petrobras Lubrax cresceu e se tornou cada vez mais competitiva. Na verdade, eu não migrei diretamente do guidão da moto para o volante do caminhão e sim, passei pela categoria “Carros” nos anos de 1997 e 1998.

Quantas pessoas compõem a equipe? Qual é a função de cada um?
  A equipe compete nas categorias “Motos”, “Carros” e “Caminhões”. Portanto, temos três pilotos e dois navegadores fixos. Além das pessoas que participam ativamente das competições, temos um escritório e uma oficina em São José dos Campos (SP), onde contamos com mecânicos e auxiliares. Na época do Rali dos Sertões, com a contratação de terceiros para o evento, nossa equipe chega a um total de 21 pessoas trabalhando direto no rali.

Quais recursos tecnológicos são permitidos utilizar nas corridas?
  O GPS (Global Positioning System) é liberado no Dakar, mas com restrições. Para nós, ele só abre a tela com a bússola. Caso esteja perdido, você usa um código para desbloquear o GPS e ele te indica o ponto certo para chegar ao destino final do dia, porém, terá 6 horas de penalização em seu tempo de prova. O GPS está inserido em um aparelho chamado Iritrack, pois além desta função, ele permite comunicação por voz em caso de acidentes. Ele também possui um sistema que mede sua desaceleração e capotagem. Se um destes dois fatores ocorrer dentro de limites estabelecidos, a organização chama o piloto para saber o que aconteceu e, se não tiver resposta, é dado um alerta e as equipes de salvamento vão atrás do sinal.

Outro item que contamos é o Sentinel, um instrumento que se coloca em todos os veículos da competição (moto, carro e caminhão) e que nos auxilia nas ultrapassagens. Quando se chega a menos de 300 m do veículo a que se quer ultrapassar, acionamos a buzina e imediatamente soa um alarme com mais de 100 decibéis no veículo da frente. E o barulho só para quando ele buzina. Quando isso acontece, é enviado ao veículo de trás um sinal diferente indicando que a mensagem foi recebida. Daí, o veículo diminui o ritmo e facilita a ultrapassagem. Esse dispositivo é importante, pois no passado ocorreram alguns acidentes de atropelamento.

De quantas competições você já participou até hoje?
  Isso é difícil mensurar, mas de Dakar já participei de 20 edições consecutivamente, no Rally dos Sertões desde 1997, e em etapas do Paulista e Brasileiro durante o ano todo. Desde 1976, competindo a uma média de dez corridas por ano, já são cerca de 320 competições.

Qual foi o momento mais difícil que você viveu em uma competição de rali?
  Momento difícil é quando você se envolve em acidentes. Uma vez acordei, estava deitado e vi muita areia. Achei que estava na praia, levantei a cabeça e vi uma moto caída mais à frente. Olhei para o lado e vi um helicóptero parado e duas pessoas vindo na minha direção. Daí fui lembrando que estava em uma corrida no deserto, que tinha sofrido uma queda e caído de cabeça no chão e machucado a coluna cervical. Foi um momento crítico porque demorei cinco meses para me recuperar totalmente desta queda.

Qual é a sensação de disputar o Rali Paris-Dakar?
  Apesar destes anos todos, a sensação é que ainda é a primeira vez. Como todas as edições da prova são diferentes, o percurso sempre muda, então não dá para dizer que sabemos o que vamos encontrar nas etapas.
ago/set 2008
 






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