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Paz emocional dentro da boleia
por Magda Mattos

A boleia, para a maioria dos caminhoneiros, é uma mistura de amor e profissão. Para Waldomiro, o Miro, ela foi a saída para uma melhor qualidade de vida

Apesar de conhecer boleias de caminhão desde muito pequeno, porque seu pai era caminhoneiro e também devido ao negócio com pneus que herdou, Miro só foi cair na estrada aos 46 anos. E o motivo foi o que mais chamou a atenção para esta reportagem.

Miro procurou nas estadas e na boleia o equilíbrio emocional produzido pelo prazer que dirigir um caminhão lhe dava. Sem entrar em detalhes, conta apenas que teve um problema muito sério e que deixou seqüelas emocionais. “Costumo ter meus próprios métodos para viver melhor. Por isso, e por ter uma paixão enorme pela vida num caminhão, resolvi investir há oito anos num Ford e cair nas estradas”. O investimento deu certo e, segundo Miro, a vida voltou ao normal.

Desde então foram dois os caminhões que o acompanharam. O primeiro foi o Ford com motor Perkins e câmbio Detroit, “uma combinação que não casava bem”, lembra Miro, obrigado-o a trocar as marchas apenas no tempo certo. Após um ano, outro caminhão substituiu o Ford. Desta vez, Miro comprou um Mercedes 710 e com ele começou a viajar para fora do estado de São Paulo.

Mesmo com pouco tempo na estrada Miro diz que causos não faltam. Enaltece a camaradagem entre os caminhoneiros, apesar de hoje ela ser menos que há anos atrás e lembra quando estava na entrada de Campinas quando seu Ford quebrou. “Eram duas horas da manhã e o caminhão pifou”, conta já rindo ao lembrar-se. “Logo em seguida um caminhão parou e o motorista veio me socorrer. Ele carregava frangos e resolvemos amarrar um veículo no outro para dar um tranco e ver se o meu Ford pegava. Logo que o caminhão puxou o meu veículo e percebi que o motor pegou, freei. Aí foi frango pela estrada toda, porque com o tranco causado pela freada no caminhão dele, algumas gaiolas caíram do caminhão e abriram, dando liberdade aos frangos. Foi um ‘pega pra capar’ na estrada escura e levamos bom tempo cercando os frangos e morrendo rir”, conta Miro, agora com paz de espírito.

agosto/setembro 2008
 






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