Do asfalto para as trilhas
A paixão pela aventura
off road

É com
muita satisfação que escrevo a minha primeira
coluna na revista Chapa. Afinal, como nossos leitores,
eu também permaneço muitas horas dentro
da boleia de um caminhão. Até por
isso achei interessante contar as diferenças entre
um caminhão de corrida e um original de fábrica.
Eu participo de ralis com um caminhão Mercedes-Benz,
modelo Atego 1725 4x4, e para surpresa de muita gente,
as diferenças dele para o outro são realmente
mínimas. Durante uma competição off
road, percorremos o que chamamos de especiais, ou seja,
trechos cronometrados. Quando terminamos essa parte em
alta velocidade é comum termos que percorrer deslocamentos
em asfalto. Até por isso que todos os veículos
têm inclusive placas, ao contrário dos caminhões
de corrida da Fórmula Truck, por exemplo. Em nossa
modalidade (rali) temos que estar dentro da lei para trafegar
em vias públicas e isto é vistoriado no
início da prova.
Mas para se competir em um rali é preciso fazer
algumas modificações, preservando a segurança
de seus participantes. A primeira delas é a inserção
do Santo Antônio na cabine, espécie de reforço
na estrutura interna. O banco em formato de concha também é outro
item obrigatório, adaptando o competidor corretamente
ao veículo, além de cintos especiais, em
geral, de cinco pontas, e instalação de
extintores de incêndio com maior capacidade.
A suspensão do Atego também é modificada,
sendo mista. Com isso, ela possui um sistema a ar e outro
original de mola e amortecedores. E nas rodas dianteiras
temos dois amortecedores por roda. Dessa maneira, o piloto
garante mais sensibilidade enquanto dirige, facilitando
a ultrapassagem de obstáculos.
Outra modificação importante é um
pequeno aumento da potência do motor (de 270 para
400 cavalos, aproximadamente) e do tanque, que é ampliado
para garantir mais autonomia nas etapas – cerca
de 500 litros. A potência do motor é atingida
só realizando uma nova regulagem eletrônica
do equipamento, sem trocar nenhuma peça original.
Mas reparem que as mudanças realizadas no veículo
não alteram a resistência do equipamento,
fator muito importante para nós dentro de um rali
de longa duração. O que “mexemos” é apenas
num ganho de performance do equipamento, sem maiores transformações.
Com estas modificações deixamos o Mercedes-Benz
Atego leve e bem rápido, e assim consigo chegar
a velocidades superiores a 160 km/h, como foi no Rali
dos Sertões 2008.
Ficha técnica
Mercedes-Benz Atego
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Marca: Mercedes-Benz |
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Modelo: Atego 1725 4x4 |
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Motor: 7.200 cc, 6 cilindros |
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Potência: 360 Hp |
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Peso: 7.200 kg |
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Câmbio: Mercedes-Benz G-85 |
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Caixa de transferência: Mercedes-Benz VG-550 |
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Pneus: Pirelli TG-85 1200x22,5 |
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Lubrificante: Lubrax Tec Turbo |
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Combustível: Diesel Podium |
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André Azevedo é piloto
da Equipe Petrobras Lubrax e compete na categoria Caminhões,
tanto em provas brasileiras quanto no Rally Dakar.
A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Mitsubishi
Motors do Brasil, CCR NovaDutra, e apoio da Mercedes-Benz Caminhões,
Pirelli, KTM do Brasil, Renov, BorgWarner, Mahle, Kaerre, Capacetes Bieffe,
Sparco América Latina, Motorola e Artfix.
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