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Duas décadas de competições
A
história começou
sobre duas rodas e, hoje, prossegue de caminhão
Em
janeiro de 2009 vou comemorar 22 anos de Rali Dakar, contando
inclusive com o que foi cancelado (já que estava
na Europa na ocasião). Na verdade, minha trajetória
como piloto começou em 1976 quando competia em
Motocross. E posso afirmar que naquela época nem
passava pela minha cabeça chegar tão longe
assim.
Sou formado em Engenharia Civil e já exercia a
profissão em São José dos Campos,
interior de São Paulo, minha cidade natal e onde
moro até hoje. Nas horas vagas, pegava minha moto
e fazia trilhas com amigos e familiares. O gosto pelo
off road foi crescendo e de vez em quando participava
de algumas competições.
Em 1987, empolgado com a vitória no Enduro das
Montanhas, decidi fazer o Rali Dakar, a maior e mais perigosa
competição do mundo. Contava com outro “maluco”,
o piloto Klever Kolberg, que também sonhava em
se arriscar pelas areias do deserto do Saara.
Mas para explicar toda essa aventura na qual nos submetemos, é preciso
deixar claro que no final dos anos 1980 não havia
internet e nem sequer informações da prova
como se tem hoje. Éramos os primeiros brasileiros
a participar da prova. Além disso, não tínhamos
muitos patrocinadores que pudessem bancar a nossa aventura.
Muitos amigos só nos levaram a sério no
dia em que embarcamos para a Europa.
Na época também era proibida a importação
de veículos e eu costumava correr com uma moto
de 180cc no Brasil para passar a competir com uma de 600cc
no Dakar. Portanto, as motos só nos foram apresentadas
poucos dias antes da largada, na França. Ou seja,
não havíamos treinado com elas e, portanto,
não estávamos 100% preparados para o desafio.
Nossa primeira participação foi terrível,
nenhum dos dois pilotos conseguiu terminar a prova. Mas
nem por isso desistimos e passamos os meses seguintes
atrás de mais patrocínios, treinos e tudo
o que pudesse nos ser útil para a edição
seguinte do rali. Finalmente, em 1990, consegui terminar
a competição e entrar para a história
do Dakar como o primeiro piloto sul-americano a completar
a prova. E melhor, com o título de vice-campeão
da categoria Motos até 600cc.
Hoje, a Equipe Petrobras Lubrax compete em todas as categorias:
Moto, Carro e Caminhão. O Jean Azevedo, meu irmão
e também piloto, quando competia em duas rodas
já conquistou o quinto lugar na classificação
geral, deixando para trás mais de 180 motos. Para
se ter uma idéia do grau de dificuldade em participar
de uma prova como essa, basta checar que das 136 motocicletas
que largaram comigo em 1990, apenas 46 completaram todo
o percurso.
Todos os obstáculos que tive que ultrapassar e
os riscos que administrei me dão ainda mais forças
para continuar a minha trajetória. Agora, temos
que buscar a superação sempre e aproveitar
a experiência adquirida em todos esses anos. Nada é fácil
e já sabemos disso.
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André Azevedo é piloto
da Equipe Petrobras Lubrax e compete na categoria Caminhões,
tanto em provas brasileiras quanto no Rally Dakar.
A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Mitsubishi
Motors do Brasil, CCR NovaDutra, e apoio da Mercedes-Benz Caminhões,
Pirelli, KTM do Brasil, Renov, BorgWarner, Mahle, Kaerre, Capacetes Bieffe,
Sparco América Latina, Motorola e Artfix.
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dez/jan 2008
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