Perdidos na cidade maravilhosa!
A história de dois marinheiros de primeira viagem
por Nilton Pavin

Conhecer o Rio de Janeiro sempre foi o sonho de infância
do publicitário Marcos Bueno. Por isso, ele não
hesitou quando Eduardo Pelagalli, irmão de sua namorada
(e hoje esposa) Vanessa, disse que iria para a Cidade Maravilhosa
entregar uma carga e o convidou para ir junto. Mas, o que ele
não esperava, é que Eduardo também nunca
tinha ido para o Rio. Conclusão, dois marinheiros de primeira
viagem.
Na verdade, Eduardo fez o convite a Marcos, mas retrucou que
a viagem seria rápida. A intenção era estar
de volta no dia seguinte, segunda-feira à noite. Ou seja,
uma viagem de dois dias. Marcos não se importou. Partiram
de Tatuí puxando um carregamento de ferro rumo à capital
fluminense.
A euforia foi tamanha para sair, que Marcos esqueceu de levar
roupas e dinheiro. A única coisa que lembrou foi de ligar
para a mãe e pedir para ela avisar o pessoal do escritório
que ele iria faltar um dia no serviço. Por sua vez, Eduardo
nem se preocupou em abastecer a Boleia com comida, toalhas
e água.
Ao chegar no final da Via Dutra, já em terras cariocas,
na segunda-feira pela manhã, Marcos descobriu que Eduardo
não
conhecia a cidade. Eram aproximadamente 10h quando
abordaram alguns “chapas” para tentar descobrir o
endereço da empresa. Depois de uma boa conversa, seguiram
rumo ao destino. Antes, porém, pararam para comer em um
boteco: arroz, feijão preto, ovo frito e salada.
Andaram alguns quilômetros até serem parados por
uma viatura policial. Motivo: estavam andando em local proibido
próximo às praias. Novamente depois de uma boa
prosa com os guardas, seguiram rumo ao local de descarga. Neste
momento, Marcos estava tão nervoso porque já estava
anoitecendo, que começou a ter contrações
abdominais.
Quando chegaram à empresa, ela estava fechada. Conclusão,
estacionaram o caminhão e dormiram na Boleia. O único
problema é que Marcos estava com fortes dores abdominais
e precisava ir ao banheiro. Mas como diz o ditado: “quem
não tem cão, caça com gato”, ele não
teve dúvidas, resolveu seu problema embaixo da carroceria.
No dia seguinte, conseguiram finalmente descarregar o caminhão.
Aliviado, Marcos questionou a que horas eles iriam embora. Foi
neste momento que o nervosismo voltou, pois Eduardo disse que
eles teriam que ir até o terminal portuário de
cargas para retirar o material para São Paulo. Naquele
momento começou a outra odisséia da dupla de marinheiros
de “primeira viagem”. Quando chegaram ao porto, o
escritório já estava fechado e eles foram obrigados
a passar mais uma noite na Boleia.
Eduardo mantinha a calma, mas Marcos estava nervoso, pois eles
não tinham mais dinheiro e a fome estava apertada. Para
tentar resolver o problema, Marcos resolveu pescar no caís.
Claro que não obteve resultado. Por sorte, encontraram
três caminhoneiros do Sul, que viram o desespero do rapaz
e eles resolveram dividir a comida. Passaram mais uma noite na
Boleia. No dia seguinte, conseguiram, finalmente, carregar
o caminhão e seguiram de volta para São Paulo.
Por coincidência, os motoristas do Sul também vieram
para Tatuí. Não precisa nem dizer que a viagem
terminou em uma pizzaria. Marcos afirma que a felicidade era
tanta que eles comeram uma “redonda” cada um.
