Uma frota de 2.000 caminhões
por Édi Gomes
|
|
|
Todos miniaturas
e reproduzidos conforme o seu
projeto original em
processo que demanda tempo e muita paixão
Ele tem 41 anos e atualmente é dono de uma frota de quase dois mil caminhões
em Campo Limpo Paulista, interior de São Paulo. Seus modelos reúnem
cores, tamanhos e, principalmente, modelos diferentes, resultado de um trabalho
que começou quando Alan Luiz Monticcelli, aos 14 anos, ganhou o seu primeiro
Scania LK 140. Novo para tantas aquisições? Talvez. Mas na verdade
o universo dos veículos que ele possui está todo em miniatura.
É uma paixão que deu um novo sentido em sua vida. Filho de Luiz
Monticcelli, proprietário de uma farmácia em sua cidade natal,
Alan não ficou apenas entre aviar receitas. Trabalha desde adolescente
no local, onde boa parte de suas miniaturas decora o escritório abarrotado
de modelos que ficam “fortemente” guardados em prateleiras de vidro.
O sucesso da coleção pode ser atribuído à desenvoltura
do comerciante. “O meu pai comprou uma máquina de escrever e mesmo ‘catando
milho’ mandei cartas para as empresas que faziam miniaturas. Informava
que era da TransAlan e pedia o envio de catálogos. Um dia chegou Lindenberg,
um representante, e perguntou ao meu pai sobre o gerente da empresa. Ele disse
que o artista era eu. Conversando com Lindenberg acabei revendendo as miniaturas
na região e a minha comissão retirava em modelos”, comenta
sorrindo. |
Linha de montagem
A busca por modelos fez com que Alan estabelecesse contatos
com diversas regiões do Brasil para encontrar fabricantes
de miniaturas. Por ironia do destino, quando realizava uma
compra no site Mercado Livre, tomou conhecimento que um dos
cadastrados era da cidade de Jundiaí, vizinha de Campo
Limpo. Mandou mensagem e hoje o funcionário público
Narciso Barros, 46 anos, é um dos seus maiores “fabricantes”.
A “linha de montagem” funciona apenas nas horas
de folga e o artista reproduz as peças em escala 1:50
com detalhes que impressionam pelo capricho e fidelidade aos
modelos originais.
O preço varia, segundo Alan, de acordo com a complexidade
das miniaturas. “Eu pago de R$ 150,00 a R$ 600,00, mas
há modelos que podem custar até R$ 2.500,00”.
A internet funciona também para o colecionador como
grande vitrine, pois viabiliza contatos entre amantes deste
hobby. Ele adianta que um colecionador só se desfaz
das peças quando precisa de recurso financeiro. “Recentemente
eu e mais um conhecido adquirimos juntos um acervo por R$ 7.000,00.
Dividimos as peças que interessavam a cada um e o restante
vendemos. O antigo dono só fez isso porque estava ‘enforcado’ financeiramente”.
Família
Alan faz a família participar. Como exemplo, há o
berço e cama dos seus dois filhos Bruci, de 8 anos,
e Bryan, 3, que foram customizados em dois modelos da Scania:
LK 141 e o Constellation 25.370. A obra foi o desafio para
o marceneiro Luiz Carlos Bertazzoni, também responsável
pelas prateleiras que exibem a coleção do comerciante.
O resultado foi compensador, pois há acessórios
e adesivos que completam o projeto.
E o filho mais velho já dá os primeiros passos
em coleções. Neste caso, a paixão são
os modelos da linha Hot Wheels e o zelo tem influência
do pai. “Ele falou que quer as prateleiras iguais às
minhas para a sua coleção”, comenta Alan,
que gradativamente forma também para o filho a TransBruci
com todos os caminhões vermelhos, por exigência
do pequeno proprietário. Outra frota da residência
dos Monticelli é a TransLia, com seus caminhões
cor-de-rosa em homenagem à esposa.
Expansão
Os próximos planos para a TransAlan envolvem a construção
de um porto na escala 1:50. “Fiz algumas visitas ao Porto
de Santos e registrei em fotografia. Agora resta o local apropriado,
que precisa ser uma área que possibilite a visitação,
pois muita gente vai querer conhecer. São planos para
o futuro”, brinca Alan.
