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Vários "causos" e uma viagem!

Uma simples entrega vira uma verdadeira aventura em família

por Karina Sene

Foi uma viagem para ficar na história. Marino Lopes Ferreira, na época com seus 30 anos, saiu de São Paulo/SP rumo a Goiânia/GO, a bordo do seu Volvo NL 10 para uma entrega de minério de ferro e decidiu levar sua esposa Vilma e sua filha Gabriela de quatro aninhos para acompanhá-lo. A viagem prometia ser boa, pois o trabalho seria tranquilo, mais próximo de um passeio em família.

Marino só não esperava os tantos “causos” em apenas uma viagem. Pra começar, sua esposa voltou para casa com marcas inesquecíveis, talvez se arrependendo de aceitar o convite do marido. Parados em um posto, sua esposa cozinhava em um fogão improvisado e levou um tremendo susto com a descarga de ar do freio estacionário de uma carreta que chegava e caiu em cima de um arbusto de “coroa de cristo”. Ainda se lembra da dor que sentiu na hora da queda e das gargalhadas de Gabriela, tão pequena e rindo de sua mãe. Bom, isso foi apenas o começo.

Chegando em Goiânia, Marino fez a entrega que deveria e a família passou a noite na casa de um amigo que encontraram por acaso. Logo na manhã seguinte, pegaram a estrada para voltar para casa. Mas a viagem de volta demorou o dobro da ida.



Marino dirigia, Gabriela e Vilma dormiam, quando o caminhoneiro avistou pelo retrovisor uma fumaça. Parou e foi olhar o que era: problema no “patinho de freio”. Depois de muitas tentativas de levantar o último eixo, todas sem sucesso, decidiu tirar as duas rodas e seguir com a campana solta, afinal tinha um posto a poucos quilômetros dali e logo resolveria o problema. Porém, roda de caminhão não é qualquer um que consegue colocar no baú e Marino também não seria esta pessoa.

Acordou sua esposa – que estava ainda com a dor dos espinhos – para ajudá-lo, mas não conseguiram resolver o problema. Foi quando teve uma idéia criativa: colocou uma pedra grande embaixo da porta do baú, veio correndo com o pneu, fez ele bater na pedra, quicar e conseguiu empurrá-lo para dentro do baú. Foi um esforço e tanto até que terminaram o serviço. Mas ainda não continuariam sua viagem. Com o tempo de pisca-alerta ligado, a bateria do caminhão descarregou e ficou sem partida. Imagina empurrar um caminhão para pegar no tranco! Marino, Vilma e Gabriela não conseguiriam essa proeza. O viajante pediu auxílio para um carro que passava e dois homens solidários o ajudaram ou, pelo menos, tentaram ajudar. Empurra daqui, empurra de lá e o caminhão mal se mexia. Colocaram uma alavanca nos pneus e finalmente o caminhão pegou no tranco. Dali, Marino por fim seguiu ao posto, arrumou o último eixo e prosseguiu com a sua viagem de volta para casa. Relatando esta história, Marino, hoje com saudades dos caminhões, destacou: “Foi uma viagem cheia de surpresas, talvez por isso tenha sido inesquecível”.


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abril/maio 2009
 

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