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Direção: lições de um rally



ATENÇÃO
Ao passar por um trecho de neblina, reduza a velocidade.
Como venho falando desde a primeira vez que escrevi para a ChAPA, dirigir um caminhão numa competição como é o Rally Dakar é bem diferente do dia a dia dos caminhoneiros nas estradas brasileiras.

Meu caminhão, um Mercedes-Benz Atego 1725 A, tem tração nas quatro rodas e passou por algumas transformações para aguentar os tipos de terreno por onde passo. Mas algumas situações na direção são parecidas com as que os amigos com certeza passam.

Dirigir em alguns momentos no Deserto do Saara, por exemplo, é muito parecido com o que acontece com os caminhoneiros que levam carga alta, quando muda o centro de gravidade do veículo para cima – e o caminhão fica instável. Ele é o maior deserto do mundo e passa por vários países da África. Toda aquela areia forma verdadeiras montanhas, as dunas, por onde os veículos do rali têm que passar. Não há estradas, é claro, e as dunas são tão altas que o piloto tem que ter uma boa noção da inclinação para evitar que o caminhão tombe. Além disso, o peso do caminhão ajuda a afundá-lo na areia, aumentando ainda mais o risco dele virar.

Nós tentamos sempre cruzar a duna de frente para evitar isto, mas tem certas situações que o andar de lado na duna fica inevitável e inclusive já vi alguns caminhões tombados no deserto por não agüentar o excesso de peso.
Imagino que o caminhoneiro que precisa transportar cargas altas, tem que pensar parecido com o que vivemos no deserto: ir sempre devagar e tentar precaver ao máximo nas curvas, freadas e desvio de rota por algum imprevisto; entrada de pessoas ou carros à frente.

As tempestades de areia no deserto são outro exemplo de situação que lembra a dos caminhoneiros. Ventos com mais de 120 km/h levantam a areia e não dá para enxergar nada. Forma um “paredão” parecido com o que acontece num dia de muita neblina em nossas estradas do Brasil.

Lembro-me de uma vez ver de longe esse paredão de areia se aproximando, e diminuí um pouco a velocidade. Na ocasião, estava andando em um deserto plano e não fui mais prudente, pois achei que a condição do terreno seria a mesma mais para frente. Logo que entrei nesta “neblina” percebi que não tinha reduzido o necessário, pois acabei “atropelando” pequenas dunas de um metro e meio de altura. O caminhão se chocou contra elas e um dos pneus saiu do aro.

Desse episódio tirei uma conclusão que deve ser utilizada também para nossos amigos caminhoneiros de estrada: ao passar por um trecho de neblina, reduza a velocidade.

Afinal, atenção é item obrigatório, no rali e nas estradas.




André Azevedo é piloto da Equipe Petrobras Lubrax e compete na categoria Caminhões, tanto em provas brasileiras quanto no Rally Dakar.

A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Mitsubishi Motors do Brasil, CCR NovaDutra, e apoio da Mercedes-Benz Caminhões, Pirelli, KTM do Brasil, Renov, BorgWarner, Mahle, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Motorola e Artfix.
junho/julho 2009
 

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