Óia
a Onça!
Procurando madeira, seu João levou aquele susto
por João Fernandes e Luciana Müller
Por mais de duas décadas eu trabalhei como transportador
de madeira para uma fábrica de placas. Minha família
tinha uma empresa que comprava a madeira para enviar à tal
fábrica.
Para buscar madeira, rodei as estradas da região de Jundiaí,
Campo Limpo Paulista e Várzea Paulista, que conheci muito
antes de existirem no mapa do Estado de São Paulo. Estradas
de terra, buracos, pirambeiras e muitos bichos faziam parte do
dia a dia de quem trabalhava naquele mercado.
Certo dia, viajava com meu pai, José Muller, mais um funcionário,
em meu caminhão Chevrolet D60. Verde, de 1978, até hoje
todo original. Era de madrugadinha ainda; o sol não tinha
nascido, o dia começava a clarear. Estávamos procurando
um lenheiro, o responsável pela venda de madeira...
Imagine uma floresta, com muitos e muitos eucaliptos plantados,
um atrás do outro. No caminho, estradas de terra com buracos
e às vezes, com trechos descendo em pirambeiras de arrepiar
os cabelos. Esse era o cenário de nossa viagem, na chamada
Serra dos Cristais. Bem ali, onde passa a Anhanguera e a Bandeirantes,
pertinho de São Paulo.
Naquele dia estávamos em três na Boleia,
tentando encontrar o lenheiro. Todo mundo distraído, conversando.
E nada do lenheiro. Até que, observando as árvores,
vejo no meio delas dois olhos brilhantes. Não sabia, na
hora, o que era, mas pela sombra do bicho, devia ser maior do
que um cachorro....
Pois acreditem: era uma onça. E assim que ela percebeu
que nós a descobrimos, acabou ficando mais assustada que
a gente. E, de repente... não, ela não nos atacou.
Simplesmente virou as patas e se embrenhou no meio do mato. Nessa
hora deu pra ver como a onça, mesmo não sendo muito
grande, tinha mesmo tamanho suficiente pra assustar qualquer
um!
Deve ter é assustado o lenheiro... pois fomos até esse
lugar atrás dele, e nem sinal do homem…