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É pro Chimarrão!

Ninguém podia saber que a água era para mamadeira

Deiverson Aureliano Rodrigo Viana, de Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, tomou gosto pela estrada porque seu pai também rodou pelo Brasil afora durante 30 anos até se aposentar.

Ele é novo de profissão e de idade. Tem 23 anos e três de caminhoneiro. Casado há pouco tempo com a Karina, Deiverson sente muita saudade da família. Por isso, quase sempre leva a esposa na boleia. E não só ela. Junto com eles, vai Fernando, de um ano. “Eu fico muito tempo longe de casa e levo meu filho para ele ficar perto de mim”. E o garoto, pelo jeito, pode até seguir também a vocação da família. “Ele adora um volante”, diz Deiverson, um pouco desconfiado.

E como cuidar de uma criança que ainda toma mamadeira? Em algumas situações é complicado. Deiverson conta por que: “Eu puxava álcool do interior de São Paulo. Nas usinas é proibido entrar criança. A gente tinha que esconder o menino para ninguém ver. Às vezes, o caminhão ficava muito tempo esperando para carregar. Um dia, chegou a hora da mamadeira do Fernando e a Karina falou que eu tinha que conseguir água quente de qualquer jeito. Não tinha nenhum bar por perto. Então, entrei a pé na usina e pedi a água. Um funcionário perguntou: ‘É pro chimarrão?’. ‘É sim’, respondi. ‘Então está bem’, ele disse. E todas as vezes que fui pedir água, eu dizia que queria mais água para o chimarrão”.

Certamente, o pessoal da usina deve ter achado estranho um caminhoneiro do estado do Rio ser “viciado” em chimarrão. Mas ninguém desconfiou de nada.


agosto/setembro 2009
 






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