Eu e o meu caminhão
Não sei se vale a pena, mas eu gosto

Carlos Alberto da Cruz dirige um Scania 113, ano 1995. O cavalo
já rodou 1 milhão e 200 mil quilômetros. Tem
rastreador e rádio PX. Na carreta de quatro eixos com grade
baixa carrega em média 25 toneladas.
Gaúcho de Santa Cruz do Caí, cidade a 65 quilômetros
de Porto Alegre, ele diz que vive mais no trecho entre o Rio Grande
do Sul e São Paulo. Tem 29 anos, é casado e pai de
uma filha. Não chega a ficar mais de seis dias sem voltar
para casa. A não ser quando fica muito tempo esperando uma
carga. Nessas horas, se distrai trocando histórias com os
companheiros e dividindo seu chimarrão.
Tem nove anos de profissão. É empregado e recebe
comissão. Por dia, costuma dirigir 16 horas e roda em média
800 quilômetros. Faz umas seis paradas a cada duas a três
horas. “É cansativo. Não sei se vale a pena.
Mas continuo porque eu gosto de ser caminhoneiro”, diz Carlos
Alberto.