Assim nasceram os reis da estrada
No começo os caminhões
eram importados e montados no país, depois se tornaram 100%
brasileiros
No ano passado, quase 170 mil caminhões foram
produzidos no Brasil. E desde 1957, quando veículos de
carga começaram a ser fabricados no país, já saíram
das montadoras mais de 2 milhões e 800 mil unidades. Hoje,
são tantos modelos e marcas circulando nas estradas e
cidades, que é difícil imaginar como tudo começou.
Os primeiros modelos que chegaram ao país eram importados.
Não havia fábricas da maioria das peças
e muito menos de motores. A Ford foi a pioneira. Em 1919, se
instalou no Brasil. E numa época em que veículos
com motor a gasolina eram muito raros, em 1923 a empresa norte-americana
passou a montar aqui um modelo de caminhão com todas as
partes importadas. Logo depois, entre 1925 e 1928, vieram a General
Motors, a montadora de caminhões International Harvester
e a Fiat. A crise econômica que abalou o mundo, a partir
de 1929, fez diminuir muito os negócios de caminhões
no país.
Os primeiros passos
A
retomada começou em 1946, com a chegada da marca Kenworth.
A Fábrica Nacional de Motores, FNM, iniciou a montagem
dos Isotta Fraschini, em 1949. Depois, o Alfa Romeo D-9500 em
1951, e o D-11.000 em 1958. O famoso “fenemê” foi
produzido até 1960.
A Mercedes-Benz já havia começado em 1950 a vender
caminhões, que chegavam desmontados da Alemanha. Suas
fábricas do Rio de Janeiro e São Paulo tinham a
capacidade de montar 20 veículos por dia. Em 1955 a empresa
deu um salto enorme e foi a primeira no país a produzir
blocos de motor em série. O L 312, chamado de “torpedo” por
causa do formato de seu capô, começou a ser fabricado
em 1956. E dois anos depois, foi substituído pelo L 321,
o “cara-chata”.
Enquanto isso, a Scania-Vabis, empresa especializada em veículos
de carga pesados e cavalos mecânicos, fabricava no mesmo
ano o primeiro caminhão fora do seu país de origem,
a Suécia. O L 75, com motor importado e um terço
das peças nacionais, era montado em uma fábrica
no bairro do Ipiranga, em São Paulo, e saía na
cor cinza claro. Depois, os Scanias passaram a ser pintados de
azul. A partir de 1963, com o L 76, receberam a cor laranja,
que marcou os caminhões da marca durante muito tempo.
 |
A
produção
em série de motores a diesel nacionais começou
em 1955 |
Grandes sucessos
A Ford começou a produzir no país o seu primeiro
veículo da marca, em 1957. Era um F-600, com quase metade
de peças nacionais. E dois anos depois, a Ford apresentava
o primeiro caminhão médio brasileiro, o F-350,
com motor V8 e 2,7 toneladas de capacidade de carga. O F-600
com motor a diesel foi lançado em 1961.
A Mercedes iniciou em 1964 a produção de uma série
de caminhões que fariam muito sucesso. Primeiro, o 1111,
com cabinas semiavançadas. E em 1967, os 1520 com cabina
avançada. Mas, foi em 1970, que a montadora alemã colocaria
nas ruas e estradas os 1313, 1513, 2013 e 2213, além do
caminhão mais vendido no Brasil em todos os tempos, o
1113. Até 1987 foram mais de 200 mil. Desses, se calcula
que até hoje, 180 mil continuam rodando. Em 1972, foi
a vez do L 608 D, o “Mercedinho”, primeiro caminhão
leve a diesel do Brasil.
Também em 1972, a Scania começou a vender os veículos
da Série 0, chamados de “jacarés” ou “bicudos”:
os L e LS 110, com motor de 11 litros. No final de 1974, a empresa
apresentou o LK-140 e deu início à produção
dos “cara chata” da marca. De novidades, a cabina
basculante, que facilitou o acesso ao motor e a outras partes
do veículo, além de um motor bem mais potente que
podia levar 40 toneladas brutas, a incríveis 99 quilômetros
por hora. A Scania colocou no mercado a linha R, com motores
de 305 e 338 cavalos e cabina avançada em 1981. E três
anos depois, lançou o primeiro caminhão com motor
Intercooler - equipamento de pós-resfriamento do ar de
admissão dos motores turbo-alimentados.
Novas forças
A história da sueca Volvo no país é mais
recente. Chegou em 1979 produzindo chassis de ônibus. Mas
logo em 1980 apresentou o caminhão pesado N10 com motor
de 10 litros, que já rodava em diversos países.
No ano seguinte, lançou os modelos N12, com motor de 12
litros, que desde 1984 passaram a ser identificados com H, HX
e HXT e em 1985, a Volvo criou o seu motor Intercooler.
Os caminhões Dodge eram produzidos desde 1969, quando
a fábrica francesa de automóveis Simca foi comprada
pela norte-america Chrysler. Interessada em fabricar veículos
de carga, a Volkswagen, que então dominava o mercado de
carros no país, adquiriu grande parte da Chrysler em 1979.
Assim, dois anos depois, os primeiros caminhões da geração
VW 11.130 e VW 13.130 saíram da sua linha de montagem,
além do E 13, uma versão com motor a álcool.
Em 1982, lançou o Volkswagen de 6 toneladas.
De 1957 a 1960, de cada 100 veículos vendidos no Brasil,
48 eram caminhões e 16 eram automóveis. Hoje, a
situação é bem diferente – 81 são
automóveis e 5 são caminhões. Mesmo assim,
a indústria de caminhões do Brasil se tornou a
quinta maior do mundo. Nos últimos anos, as principais
montadoras, incluindo a italiana Iveco e a brasileira Agrale,
lançaram dezenas de modelos, que também estão
marcando época e certamente continuarão imperando
nas estradas do país.
Fonte: Indústria Automobilística Brasileira,
50 Anos - Anfavea, 2006.