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Eu e o meu caminhão

Ele pode parar, mas não vai deixar o volante

No estacionamento do Posto Saka­moto, à beira da Via Dutra, em Guarulhos e a poucos quilômetros de São Paulo, José Humberto da Silva esperava um frete, “quase na bica para Maceió”, diz. Ele havia chegado um dia antes de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. Aguardava um chamado da transportadora para carregar o caminhão que dirige como empregado, um Scania 124, ano 2001 com carreta Randon 2008 e capacidade para 25,5 toneladas. O que mais José Humberto transporta são defensivos agrícolas para Goiás, Triângulo Mineiro e também estados do Nordeste, como dessa vez.

José Humberto já passou por apertos, como em 1997, quando foi sequestrado. Levaram o Scania novinho da transportadora com ele junto. Ficou em poder dos assaltantes no meio de um matagal até o dia seguinte, quando o libertaram e até deram conselhos sobre como ele deveria fazer o BO. “Lembrando, eu acho engraçado, mas na hora...”, afirma com um sorriso.

Agora, com 50 anos, dos quais 25 na estrada, José Humberto planeja ficar em casa para sempre. “Eu gosto da estrada, a profissão já me deu muita coisa. Consegui dar boa educação para as minhas duas filhas”. Mas ele se diz cansado. Pouco volta para a sua terra, em Araxá, Minas Gerais. “Estou pensando em comprar uma van e trabalhar na região”. O caminhoneiro vai mudar de direção. Mas não larga mão do volante.

outubro/novembro 2009







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