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Morto de medo

Um curto-circuito mostrou se o amigo era mesmo valente


Caminhoneiro com 34 anos de estrada, Alberto Diogo Giusti era chamado de "Mercosul",
pois fazia muito as rotas internacionais entre Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.
Mas desde 2006 passou a transportar "cargas excedentes" para o norte e, de vez
em quando, para o nordeste. Ele é paulista e há 14 anos mora em Uberaba,
Minas Gerais. Alberto mandou uma boa história para a ChAPA.

"Tenho um causo muito bom para contar para vocês. Foi em 1976, na BR-381, a rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo e Belo Horizonte. Eu guiava um Scania 111 do ano. Na altura de Pouso Alegre, em Minas Gerais, aconteceu um acidente com um carro de passeio que caíra entre dois rios. Devido ao movimento e à curiosidade, também parei para ver. Todos esperaram a chegada dos bombeiros e a funerária. Fomos ver tirarem a vítima, uma mulher que se afogou. Os camaradas não tinham coragem nem de chegar perto.

Quando o rapaz da funerária foi buscar o corpo da mulher, alguém perguntou para ele:'Você não se impressiona em pegar em defunto?' O amigo, com ar de valente, respondeu com firmeza: 'Eu?! Tenho mais medo de vivo do que de morto!' E lá foi ele. Pegou o defunto do chão e o colocou no caixão. Depois disso, todos fomos embora, pois já era bem tarde da noite e o 'espetáculo' já tinha acabado. Da forma como o rapaz da funerária falou, achei que como eu, todos devem ter pensado: 'Que camarada mais valente!'

Uns 50 quilômetros à frente, lá estava o carro funerário parado na pista, com o motorista dando sinal de mão. Uns quatro ou cinco caminhões estacionaram e fomos ver o que estava acontecendo. Os faróis do carro que levava a morta ficavam acendendo e apagando e a buzina tocava sem parar. E o nosso amigo da funerária estava completamente apavorado.

Um dos caminhoneiros foi ver o carro e logo percebeu que os fios da buzina e dos faróis estavam em curto e provocaram a pane. Mas gostamos de ver o funcionário da funerária, que ficou com cara de muito assustado. Acho que nunca mais ele se mostrou valente em situações como aquela."


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dezembro 2009/janeiro 2010
 

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