Na lona
Quando o pneu está no fim, reformar ou comprar um novo?
Na hora em que o pesado pede a troca de pneus, o que fazer? Existem algumas opções - comprar pneus novos ou reformados ou então mandar reformar os que estão sendo usados.
E aí vem a pergunta: Qual a melhor escolha? Em geral, os pneus reformados substituem os que já estão chegando "na lona". Na hora de pagar a conta, o pneu novo aparece com um preço muito mais salgado - equivale ao de quatro pneus recapeados.
Mas para que a compra de um pneu reformado valha a pena é preciso pensar em algumas coisas. Giovanni Carlo Rossi, consultor técnico da associação dos fabricantes de pneus, a ANIP, explica que apesar de custar mais caro, o pneu novo vai durar mais porque permite rodar toda a sua primeira vida e mais outras vidas com as reformas. Comprar um reformado talvez não seja vantagem, pois tem uma duração menor. Sua primeira vida já foi utilizada e a possibilidade de outras reformas começa a diminuir.
Também é preciso levar em conta que a duração de um pneu reformado depende de fatores como o estado do pneu antes da reforma e a qualidade do processo e dos produtos usados para renová-lo.
Tipos de reforma
Os pneus podem ser reformados de três maneiras:
a recapagem, a recauchutagem e a remoldagem.
Qual a diferença entre esses tipos de reforma?
O órgão federal que regulamenta a fabricação de produtos e o emprego de tecnologias, o Inmetro, explica: |
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Remoldagem
substituição da banda de rodagem, ombros e toda a superfície lateral. Conhecida também como recauchutagem de talão a talão. Mais usada em automóveis. Para os veículos de carga pesada, seu preço é maior, comparando com a recauchutagem e a recapagem. |
Recapagem
substituição da banda de rodagem, ou seja, a parte do pneu que entra em contato com o solo. Mais indicada para os veículos de carga - de cada 100 pneus de caminhão reformados, 95 usam esse tipo. É o processo mais rápido. Geralmente é feita “a frio”. |
Recauchutagem
substituição da banda de rodagem e ombros do pneu. É usada quando o pneu tem danos. É o tipo de reforma feito “a quente”. É o segundo tipo de reforma mais usado para pneus de veículos de carga. |
Qual dura mais?
Carlos Thomaz, da Associação Brasileira do Segmento de Reformas de Pneus, a ABR, diz que a qualidade dos pneus reformados depende das carcaças. Quanto melhor o estado delas, melhor o resultado.
Em uma carcaça boa, a durabilidade é igual ou superior à do novo. Na segunda recapagem a vida será de 80% e, na terceira, cerca da metade em relação ao zero quilômetro.
Um pneu novo pode rodar até 200 mil quilômetros desde que seja em asfalto liso, com regularidade de marcha e em veículo de baixa potência. O mesmo pneu pode durar 40 mil em um caminhão de alta potência rodando em asfalto abrasivo, com muitas curvas, descidas e subidas e tráfego intenso, explica o consultor da ANIP.
O pneu que rodou menos estará com a carcaça mais inteira e poderá passar por reformas. A do outro vai estar mais desgastada e será menos aproveitada.
Para se ter um pneu reformado seguro, Rossi indica “oficinas especializadas e mão de obra e matérias- primas de qualidade reconhecida”. E é importante saber quanto durou a sua primeira vida, a sua primeira reforma, e assim por diante.
Onde e como

No Brasil são recapeados 8 milhões de pneus por ano, mais do que a produção de novos, de cerca de 5,2 milhões.
Isso significa que a reforma diminui as vendas de novos? Na verdade não, porque os pneus já são fabricados para serem reformados.
Além disso, quase todas as fábricas de pneus novos produzem materiais para reformas. A Goodyear, por exemplo, fabrica produtos para recauchutagem como bandas de rodagem, cola e cimento, entre outros. A Bridgestone, por meio da marca Bandag, a Continental e a Pirelli têm produtos para recapagem e mantêm em todo o país redes autorizadas para as reformas. Da mesma forma, as fabricantes de bandas de rodagem, como a Vipal.
O caminhoneiro não precisa comprar pneus já reformados dos quais não conhece a origem. Com lojas autorizadas em todo o Brasil, ele pode mandar recapar os seus próprios pneus. Como o processo demora cerca de 12 horas, o amigo da estrada aproveita e tira uma folguinha. Afinal, na lona nem o pneu pode ficar.
Foto: Divulgação Scania / Renato Merlini