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Ficou Na Memória
O FNM acabou há 30 anos,
mas para alguns deixou saudade
Muita gente que vive no trecho não
deve ter ouvido falar dos FNMs, os pesados que durante
muitos anos dominaram as estradas do país.
Comparados com os caminhões de hoje, eram
simples e pouco velozes. Mas muito fortes e excelentes
para a época em que foram fabricados.
No Brasil, nos anos 1950 e 1960, os "fenemês" eram os caminhões
preferidos dos caminhoneiros. Vale lembrar que naqueles tempos, rodovia asfaltada
não era muito comum no interior. Nossas estradas eram só pó ou
lama. E os FNMs eram considerados perfeitos para o país – robustos
e resistentes. Por isso, eles foram muito usados na abertura de rodovias, como
a Belém-Brasília e Transamazônica, e na construção
de Brasília.
Os caminhoneiros costumavam repetir: "Fenemê não
tem idade". Bastava cuidar, que o pesado de cara achatada estava sempre
pronto para o trabalho duro. |
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Frase
de propaganda dos anos 1950:
“ O Brasil produz e o caminhão fenemê conduz”. |
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O caminhão era brasileiro, um orgulho nacional.
Seu nome, vem da sigla FNM, da Fábrica Nacional
de Motores. A empresa foi criada pelo governo federal em
Duque de Caxias, no Estado do Rio, para produzir motores
de aviões de treinamento de pilotos militares. Mas
a fábrica começou a funcionar em 1946, quando
a Segunda Guerra Mundial já tinha terminado. Então,
as máquinas passaram a fabricar produtos como geladeiras,
bicicletas, peças para trens e até tampinhas
de garrafa.
CURIOSIDADES
Alguns
apelidos do FNM
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ALFA OU ARFA – no
sul do país. |
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BARRIGA D'ÁGUA – os
fabricados em 1958, cujo motor apresentava
vazamento de água no bloco. |
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BI-TA-TÁ – na
Bahia, devido ao seu ronco. |
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CHURRASQUEIRA -
os motoristas dos D-9500, tinham os pelos
da perna queimados pelo calor do motor. |
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FENEMÊ - influência
do Nordeste, onde a letra F é pronunciada
como fê, o N, nê e o M, mê. |
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JOÃO BOBO – pois
vai e volta sem parar e carrega tudo o
que lhe põem em cima. |
Fábrica de Notas de Mil; Feliz Natal Manoel; Feio, Nojento e Mole; Fé No
Motorista; Ferro No Motorista; Fumo No Motorista;
Favor Não Mexer |
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Nasce um valente
O FNM nasceu em 1949, com o IF-D-7300, produzido em parceria com a empresa italiana
Isotta Fraschini. Tinha motor à diesel de 7,5 litros e capacidade para
7,5 toneladas. Mas no ano seguinte, como a Isotta passava por dificuldades financeiras
na Itália, a produção parou. Somente 200 desse modelo foram
montados aqui. E assim, a FNM acertou com outra italiana, a Alfa Romeo, para
produzir caminhões e chassis de ônibus dessa marca.
O modelo pioneiro, vendido desde 1952, foi o 800 BR, de 115 cv. No entanto, como
foi considerado fraco, no mesmo ano lançaram o FNM-Alfa Romeo D-9.500,
com motor de 130 cavalos e capacidade para 8,1 toneladas, ou 22 toneladas com
carreta de dois eixos. O sucesso foi tanto que a fábrica não conseguia
atender à procura. Isso porque, além de muito resistente, o FNM
aceitava configurações como toco, trucado e cavalo e somente ele
tinha cabine com duas camas, ideal para as viagens, que podiam durar meses. Em
pouco tempo, o primeiro caminhão da indústria brasileira começou
a levar vantagem sobre os importados.
O mais popular
Mesmo com todo esse sucesso, era preciso melhorar o pesado. E assim, em 1958,
foi lançada a família do melhor e mais vendido FNM, o D-11.000.
Só no primeiro ano, saíram da fábrica 3.990 unidades do
modelo. Entre as novidades, o motor de 150 cv, caixa de câmbio separada
do propulsor e embreagem mais leve. |
O D-11.000 chamava a atenção pelo visual
cheio de personalidade. O ronco do motor, grave e ritmado,
era reconhecido de longe. Ainda mais quando os donos do
pesado, chamados de "alfeiros", trocavam o
silencioso original por um mais curto e sem miolo, conhecido
como "estralador".
Em 1967, o modelo ganhou inovações, como
um motor de 175 cv, terceiro eixo de fábrica e novo
painel. No entanto, a família D-11.000 terminou
em 1972, quando foram lançados os FNM 180 e 210.
A cabine mais moderna modificou muito a cara do pesado,
apesar de o motor ser o mesmo, apenas mais potente. Nessa época,
de cada 10 caminhões vendidos no Brasil, pelo menos
seis eram FNM.
Acabam os "fenemês"
O fim do pesado veio em 1978, quando a Fiat comprou a montadora.
Ainda em 1979 produziu os últimos "fenemês".
Mas no ano seguinte acabou definitivamente com o nome FNM,
passando a produzir os Fiat 190. Acabava assim uma época
em que esse estradeiro valente tornou-se tão popular
que virou até nome de cachaça, estação
de rádio e música de carnaval.
Hoje, passados mais de 30 anos do seu fim, alguns "fenemês"
ainda podem ser vistos rodando em diversas regiões
do país. E existem colecionadores que restauram
os pesados com tanto capricho que os deixam como novos.
São
os "alfeiros" que não se esquecem dos
antigos conquistadores das estradas.
O
colecionador
Osvaldo Tadeu Strada coleciona FNM . Seu pai foi caminhoneiro
durante toda a vida e desde 1953 só dirigiu seus “fenemês”.
A coleção começou em 1998, com um
FNM 1965 prata. Depois foi comprando outros, até chegar
aos 20 que tem hoje. O mais antigo é um FNM D-9500,
1955. Tem oito do ano 1958 e os restantes, fabricados entre
1960 a 1976.
Osvaldo, empresário do setor de informática,
restaurou quase todos os seus caminhões com partes
que foi comprando em antigas lojas de peças. Quando
acontecem exposições sobre caminhões
e carros antigos, ele leva seus belos “fenemês”.
O público fica apaixonado.
Fotos:
Osvaldo Tadeu Strada/arquivo pessoal
Fonte: Alfa-FNM -
pesquisas e textos de Miklos G. Stammer, José C.
Reinert, Róbert Stammer, Michael Swoboda.
abril/maio
2010 |
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