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Ladrão gente fina?

Os assaltantes levaram o seu caminhão, mas depois quiseram ajudar o caminhoneiro


José Humberto da Silva, de Araxá, Minas Gerais, com 50 anos e 25 de estrada, costuma rodar muito entre São Paulo e o Triângulo Mineiro e Goiás. Ele dirige para uma transportadora um Scania 124, 2001, com carreta Randon 2008. José já participou da ChAPA no. 16, apresentando seu caminhão. Agora conta uma história que na época colocou sua vida em risco e hoje ele lembra até com um certo bom humor.

Na época deste causo, José Humberto dirigia um Scania 113 novo em folha, que ia ainda para a primeira revisão. Ele tinha carregado em Mogi das Cruzes, em São Paulo, e ia para Araxá. Eram mais de 8 da noite e, já na Anhanguera, José Humberto parou no posto Gauchão. Estava com a porta e o motor funcionando para bater o pneu com o martelinho, já que na época não usava "rodoar". "De repente senti uma coisa nas costas. Me mexi e vi que era um cano de revólver", conta.

"Entra aí", disse o bandido, apontando para a boleia. José Humberto entrou, teve os olhos vendados e foi jogado na cama da cabine. O assaltante começou a dirigir. Depois de um tempo, que ele nem consegue saber quanto, o caminhão parou. Tiraram a venda do rosto dele e ele saiu do caminhão. Viu que estava no meio de um canavial que, depois saberia, ficava no município de Santa Cruz das Palmeiras, no interior de São Paulo.

Colocaram José sentado no chão e lhe deram um cobertor. Então, um dos bandidos, olhando para ele, que é do tipo magro e baixo, disse: "Caboclo pequeno é liso" e amarrou os pés dele. José ficou apavorado e pedia "pelo amor de Deus", que o deixassem vivo. Pediram os documentos do caminhão e ele entregou. Dos quatro ladrões que estavam com ele, dois saíram com o pesado e desapareceram na escuridão.

Os bandidos que ficaram com ele puxaram conversa. Falaram sobre a vida, as famílias e seus "trabalhos". A noite demorava a passar e José só queria saber se safar logo. Rezava para se salvar, enquanto os bandidos rezavam muito para o plano deles dar certo.

Já no final da madrugada, chegou o "chefão". José Humberto conta: "Ele se aproximou, tirou o pano que cobria o rosto e perguntou se eu já tinha jantado. Disse que não. Então ele me deu uma marmita e água. Depois começou a conversar e falou que já tinha resolvido o problema dele, que era passar para a frente o cavalo".

Às 7 e meia da manhã, o chefão anunciou que ia soltar José e avisou: "Você fala para o seu patrão que vai ser uma dessa por mês e que ele pode ir se preparando”. Depois, disse: "Você é um cara legal e tem sorte porque a nossa quadrilha também é legal". E continuou: "Por isso, antes eu vou explicar como você deve fazer o boletim de ocorrência, para você não ter nenhum problema..."
abril/maio 2010
 






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