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A árvore quebrou o galho
Com um pedaço de madeira o caminhoneiro conseguiu sair da estrada deserta

Paulo Sérgio Menolli, de Astorga, no Paraná, roda o Brasil com um bitrem Volvo FH 400. O caminhoneiro mandou uma carta com o seguinte causo:
"Esta história aconteceu em Nova Mutum, MT, em 1988. Eu tinha ido trabalhar na fazenda do meu tio, a Fazenda Mãe Thereza. Estávamos abrindo a fazenda e tudo era muito difícil, sem energia e telefone e longe da cidade 130 quilômetros por estrada de terra.
Um certo dia, meu tio pediu para que eu fosse à cidade fazer compras — óleo diesel, peças, mantimentos, remédios e outras coisas. Levantei bem cedinho. Peguei o caminhão da fazenda, um Chevrolet 73 motor Perkins, daquele que enrola a camisa nas costas — quem já dirigiu um desses sabe do que estou falando.
Como naquela época era uma estrada muito precária, cheia de buracos e atoleiros, e muito deserta, já era costume carregar enxada, machado, cabos de aço e ferramentas na carroceria do caminhão.
Eu estava indo pela estrada com muito cuidado. Mas numa distração, quebrei o cardã do caminhão num buraco. Naquele momento, pensei: ‘estou lascado’. Era muito difícil passar alguém. Tinham poucas fazendas plantando naquela região.
Então sentei na beira da estrada de cabeça baixa, desanimado e pensando o que fazer para sair dali.
Quando olhei para o lado, vi uma moita de árvores chamadas pindaíva, uma madeira muito dura e sem nó, de várias espessuras. Então peguei as ferramentas e soltei o cardã do câmbio e do diferencial. Fui até as árvores, escolhi um pedaço de madeira do mesmo tamanho e espessura do cardã e cortei as pontas em forma de ‘u’ para servir de encaixe. Acertei a madeira no câmbio e no diferencial, deixei uma folga de um dedo de cada lado e amarrei bem com arame e borracha.
Devagar, consegui chegar até a cidade quando já estava escurecendo e fui direto ao hotel Sartori. A cidade ainda não tinha asfalto, o hotel era de madeira com poucos quartos, mas hoje é famoso, de grande porte e com muitos quartos. Deixei o caminhão na frente do Sartori e contei a história para o dono do hotel. Mas ele não acreditou.
Como já era tarde, fui tomar banho, jantar e dormir. No outro dia cedo tomei um café da manhã delicioso, com pão caseiro, manteiga, requeijão, doce de leite. O café estava uma delícia.
Quando fui pegar o caminhão e mostrar o que eu tinha feito, o caminhão não estava mais lá. Fiquei preocupado e pensei que tinham roubado ele. Aí, o dono do hotel olhou para o lado de cima da rua e viu o caminhão meio afastado.
Foi um alívio. E o que aconteceu é que usei uma madeira verde e conforme o caminhão ia andando, ela ia torcendo. À noite, ela foi voltando ao normal e moveu as rodas do caminhão que foi se afastando.
Depois, fui até a oficina Cascavel para arrumar o caminhão. O pessoal de lá ficou admirado com o que eu fiz. Mas viram que eu não estava mentindo, porque foram eles mesmos que tiraram a madeira. Isto aconteceu comigo."
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junho/julho
2010
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