Eu e o meu caminhão
Seu sonho de criança faz ele sentir muita
saudade de casa
Argentino, nascido na cidade de Resistencia, Vítor Alexandre Müller se considera brasileiro. Não só por ser naturalizado, mas também porque já viveu 29 dos seus 40 anos no Brasil.
Há 20 anos ele mora no Mato Grosso, mais exatamente em Várzea Grande, cidade vizinha de Cuiabá. Antes, residiu em São Paulo, onde trabalhou como supervisor de vendas de um depósito de gás.
Na Ceagesp de São Paulo Vítor aguarda que seu caminhão frigorífico Volkswagen 23.220, 6x2, ano 2003, seja carregado de frutas que transportará para Fortaleza. Lá e em outras cidades do nordeste carrega camarão para estados do sul e sudeste, como Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Por isso demora para passar por Mato Grosso.
Vítor é caminhoneiro autônomo há quatro anos. Ao lado do seu pesado confessa um certo cansaço, mas mantém o alto astral. Apesar de a profissão ser um "sonho de criança", ele tem certeza de que logo deverá abandonar a vida de caminhoneiro. "Eu passo, às vezes, três meses sem ver a minha família", explicou ele, com um sotaque que quase não se percebe. Sente muita saudade da esposa e de seus filhos de 18, 15 e
4 anos. "Essa vida acaba com o cara", afirmou Vítor.