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Para onde estou indo?


O companheiro achou que estivesse com amnésia

Nesta edição vamos publicar mais um causo do Antonio José de Souza, o Tigrão, de São José dos Campos, SP. Este é o segundo causo dele, o primeiro foi publicado na edição número 19. Antonio escreveu para a ChAPA contando que recebeu muitas ligações de amigos que gostaram de ter lido a história anterior. Por isso, resolveu mandar mais uma.

“Em uma de minhas viagens por este mundão de Deus, naquela época eu era alfeiro*, estava indo na Dutra para o Rio de Janeiro. Uma de nossas paradas era o posto Pai João, próximo a Lorena. Lá encontrei alguns colegas de trecho preparando a janta. E já viu, né? Conversa vai, conversa vem, e tomando uns goles, já tarde da noite fui para a boleia do bruto, (e bruto mesmo, só sabe quem rodou com ele). Eu sempre tive o sono pesado e tinha um despertador daqueles de corda bem barulhento. Caí no berço e dormi.

Às quatro e meia, despertei e fui aquecer o bruto.... E a seguir, o ritual que todos dotrecho fazem: martelinho na mão bate os pneus e depois tira a água do joelho neles.
Olhei para os lados e vi que os colegas já tinham saído. Tudo certo, caí no trecho. Mas uma coisa começou a me incomodar. Pensei: ‘tô indo pra onde, tô vindo de onde?’ Começou a amanhecer e aquilo me incomodava. Passei o pedágio, passei Pinda e quase em Taubaté parei no acostamento e pensei: ‘seria amnésia, será que ontem passei do nível?’ Então peguei o romaneio e tomei aquele susto. Foi aí que me caiu a ficha. Estava no sentido errado, eu tinha que ir para o Rio.

O que aconteceu foi que o Joaquim Berro Grosso, cara zoeira igual não existia, viu que eu já estava dormindo, fez o retorno e parou no posto Mãe Maria, que fica do outro lado, sentido São Paulo.

Depois dessa, meu sono ficou muito leve e eu acordava até com zoada de mosquito na orelha, principalmente se estivesse com uns colegas zoeiras.

Mas valeu. Nós tivemos bons tempos, foram anos de ouro, pois naquela época podia dormir tranquilo. Até as cargas eram identificadas. Era colado no encerado o que se transportava e o nome da empresa. Exemplos: transportando produtos da Olivetti, transportando café tipo exportação.”

* Alfeiro - os mais velhos sabem o que significa: caminhoneiro que dirigia um Alfa Romeo, pesado que deu origem ao FNM.

agosto/setembro 2011
 






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