Edições Anteriores | Anuncie | Mapa do Site | Fale Conosco  
 


   
Cemitério de caminhões
     
O medo fez o Aílton imaginar coisas      
   

Nesta ChAPA, vamos publicar um causo diferente. Não é uma história curiosa ou engraçada. É o relato de uma leitora, Gilsaine Pereira da Silva, esposa de um amigo da estrada. Ela, que mora em Ibiporã, Paraná, enviou uma carta para nós.

“ Um homem chamado Celso de Souza, desde criança sonhava em ser caminhoneiro, cresceu e seu sonho se tornou realidade. Trabalhou em diversos empregos com caminhão, até que, um dia, resolveu que iria comprar um. Só que ele não sabia que era tão complicado ser dono do seu próprio caminhão.

Comprou um caminhão Fiat marrom, que não estava muito bom. E foi só ele começar a viajar que começaram a aparecer muitos problemas. Eu acompanhei meu marido em todas as viagens e presenciei diversas vezes ele ficar nervoso, às vezes até sem rumo.

Um dia, esse caminhão ficou sem freio e tivemos que descer uma serra transportando 14 toneladas de leite. Deus nos livrou da morte. Em outro dia, estávamos com uma carga também de 14 toneladas e estouraram quatro pneus de uma vez.
Bom, hoje posso contar esses acontecimentos porque tenho orgulho dele e porque fico grata por Deus ter nos poupado de situações tão perigosas.
Mas ele ficou tão desanimado, que colocou o caminhão à venda e ficou três anos sem comprar outro. Trabalhou em uma empresa, dirigindo caminhão, pois ele sempre diz que quem se acostuma a dirigir, não consegue parar.

 

Passado um tempo, ele pediu a conta. Comprou outro caminhão, que precisava de alguns reparos, mas não era ruim como o primeiro. E por isso eu quero que todos saibam que quando alguém tem um sonho basta acreditar.

Até hoje ele está na estrada. Agora, que escrevo, meu coração palpita de saudade dele, porque ele está em São Paulo. A maior recompensa é quando ele chega cheio de saudades e nos abraçamos infinitamente, com muito amor.

Quando ele sai, eu conto os minutos e segundos e tento esquecer a quantos mil quilômetros está. Oro para ele ir e vir em paz”.

dezembro/janeiro 2012
 






© 2009 revistachapa.com.br - Todos os direitos reservados.
Powered by Yemni